terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Delegacia que sumiu

Imagem: skyscrapercity.com
Após os acidentes recentemente ocorridos na CPTM, o Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana (base CPTM)  foi informado de que a Delegacia de Investigação de Infrações do Ambiente de Trabalho - que investigaria o primeiro deles -, foi extinta um dia depois do segundo acidente.

Em busca da veracidade, estivemos na 3ª Delegacia Seccional no setor de investigações gerais de Osasco, em São Paulo, a procura de informações sobre o delegado Archimedes Cassão Veras Junior, até então responsável pelo inquérito que vitimou os três trabalhadores do primeiro acidente.

De acordo com informações de funcionários do local, não seria possível encontrar o delegado, pois não sabiam para onde ele teria sido transferido, já que sua seção (Investigação de Infrações do Ambiente de Trabalho) havia sido extinta. Também fomos informados de que diante da extinção da seção o delegado está de férias, e aguarda a definição de seu novo posto de trabalho.

O Sindicato continua a procura do delegado Archimedes para obter maiores informações, com o objetivo de esclarecer os fatos informados.

As investigações, que deveriam estar aos cuidados de uma delegacia especializada, estão sob responsabilidade da Delegacia de Polícia do Metropolitano, na Estação Palmeiras-Barra Funda.


Por Camila Mendes / Redação 

SINDICATO INFORMA:

O Sindicato da Sorocabana informa que excepcionalmente nesta sexta-feira (16),  a partir das 12h00, encerrará seu expediente, devido a um encontro de funcionários do Sindicato. 

Voltará a atender na segunda-feira (19), à partir das 08h00 até às 17h00.

Maiores informações pelo telefone: (11) 3681-8550 ou secretaria@sinferp.org.br 



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

As mortes na CPTM que não podem cair no esquecimento dos ferroviários

Nosso sindicato está fazendo o possível para reverter a injustiça da qual nossos colegas falecidos foram vítimas: serem acusados pela direção da CPTM de culpados pela própria morte. Foram, portanto, vitimados duas vezes – pelos acidentes e pelas acusações da direção da CPTM.

Com a responsabilidade e maturidade que a situação exige, fizemos um levantamento sobre os acidentes, conversamos direta e indiretamente com pessoas envolvidas, nos cercamos de documentos, etc. De posse desses dados redigimos e enviamos nota para muitos veículos de comunicação, visando apresentar a versão dos ferroviários e defender os colegas mortos das acusações irresponsáveis a eles imputadas pela direção da CPTM.

A nota foi a seguinte:

O Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana – base CPTM – apresenta informações objetivas que apurou até o momento sobre os dois acidentes – ocorridos em espaço de cinco dias -, que vitimaram cinco trabalhadores.

Os dois acidentes se deveram a uma sucessão de descuidos, isto é, “as normas para execução de obras e serviços ao longo da via férrea” não foram cumpridas principalmente por terceiros que deveriam estar envolvidos nos serviços dos ferroviários vitimados, mais do que pelos executantes, como sentenciou de imediato a direção da CPTM.

Item b, 4.2 (Proteção Coletiva) da NS.DO/002 da CPTM: “Em serviços ao longo da via que necessitem cautela disponibilizar, no decorrer do período de trabalho,dois sinaleiros com apitos apropriados que devem ficar a 450 m atrás e a 450 m à frente do local dos trabalhos. Quando se tratar de curvas ou locais de difícil audição, atentar para a necessidade de colocar, a uma distância menor do obstáculo, outros sinaleiros com apitos ou prever sistema sonoro e/ou visual automático, que indique a aproximação de trem. O local de execução dos serviços deve ser identificado e todos os empregados informados sobre a área de escape, na eminência de circulação de trens no trecho de serviço.”

No primeiro acidente (27/11), os ferroviários tinham uma ordem de serviço: os trens “deverão sair da Oficina Engenheiro São Paulo e executar teste de rampa na Estação Dom Bosco”. Continua a ordem: “após os testes, os TUEs (os dois trens em teste) retornam para a Oficina São Paulo. Tração: providenciar piloto”.  Os trens não saíram da Oficina Engenheiro São Paulo – pois estavam estacionados no trecho - e os ferroviários (inclusive piloto e maquinista) a eles chegaram de “carona” em outro trem. Terminado o serviço - por motivos que cabe a CPTM esclarecer -, os ferroviários regressaram pelos trilhos, pois não havia trem para trazê-los de volta, e tampouco área de escape. Foi nessa condição que foram atropelados. Como se observa, uma ordem de serviço liberada por gestores da empresa não ocorreu conforme prevista e descrita. Também não se fez acompanhar por nenhum dos procedimentos da NS.DO/002 acima descritos.  Em resumo: tudo falhou.

No segundo acidente (02/12), os ferroviários também tinham uma ordem de serviço: realizar “inspeção e levantamento topográfico”, ao “longo da linha”. Isto significa verificar o estado de trilhos, dormentes, fixadores, etc. Parte dessas atividades consiste, por exemplo, em medir desgaste dos trilhos, etc., - e devidas anotações - o que implica em trabalhar na linha, e não ao lado dela. O trabalho, de acordo com a ordem de serviço, seria executado “sem interferência operacional” (medições apenas, portanto), “sendo obedecidas as normas e procedimentos vigentes”. Ao exemplo do primeiro acidente, nenhum dos cuidados descritos na NS.DO/002 (acima) foi providenciado pelos setores competentes da empresa. Enquanto trabalhavam, mesmo sem as medidas de segurança exigidas – e tampouco a eles providenciadas -, um trem por eles passou. Quando no destino, o maquinista desse trem foi comunicado que deveria retornar, mas no “sentido contrário”, isto é, pela mesma via na qual estava trafegando. Sem ser comunicado da presença dos colegas que ainda trabalhavam na via, e eles que o trem retornaria pela mesma linha (além da ausência de sinalização), deu-se o choque, e ambos morreram. Em resumo: tudo falhou.

O Sindicato está a disposição para maiores esclarecimentos, bem como para apresentação dos documentos de que dispõe.

A mensagem é objetiva, concisa, mas contém elementos que podemos provar, inclusive com base documental.

Até o momento nenhum desses veículos nos procurou para obter maiores esclarecimentos. Para a grande mídia o “caso” dos ferroviários mortos é passado, prato requentado. Não podemos fazer nada quanto a isso, pois essa é a natureza do negócio das comunicações. A CPTM dará a história por encerrada, e o Secretário dos Transportes Metropolitanos sentenciou que os acidentes foram “fatos isolados”.

Quem precisa manter esse “caso” aberto somos nós – ferroviários. Uma iniciativa notável partiu espontaneamente de ferroviários, com o cancelamento da festa de final de ano que seria promovida pelos colegas das oficinas de Presidente Altino. Afinal, comemorar o que?

O sindicato está procurando maneiras de participar diretamente das investigações. No plano jurídico, atuaremos nos campos sindical, cível e criminal. Fomos informados de que a 3ª Delegacia de Investigação de Infrações do Ambiente de Trabalho - que investiga o primeiro dos dois acidentes – foi extintaimediatamente depois do segundo, e estamos apurando a veracidade, que, se confirmada, é muito grave.

Aprendemos na greve deste ano que não podemos contar com nada e com ninguém. Aprendemos, entretanto, a contar conosco – os ferroviários.

Éverson Paulo dos Santos Craveiro – vice-presidente do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana

Irresponsabilidade: Funcionário perde parte da mão direita após o uso herbicida

Durante mesa redonda no Ministério do Trabalho, Sindicato da Sorocabana questiona ALL sobre os altos índices de acidentes.

Um funcionário da Améri­ca Latina Logística foi encontrado no pátio de Manobra de Paratinga em São Vicente com parte da mão direita esmagada por vagões.

Para  o nosso Sindicato, a empresa desrespeitou as leis trabalhistas quan­do colocou um profis­sional sem registro para trabalhar no pátio e o que é pior, fez o mesmo passar veneno no local sem acompanhamento.

Não é de hoje que a ALL registra altos ín­dices de acidente de trabalho e é questiona­da pelo Sindicato. Ha pouco mais de um mês durante mesa redonda no Ministério do Tra­balho, a entidade exigiu explicações da empresa.

Todo e qualquer aci­dente precisa de vários fatores determinantes para que ocorra e to­dos são de responsabi­lidade do empregador, não existe fatalidade e sim uma deficiência gritante a qual se ex­põem os trabalhadores a condições perigosas.

Fonte: Rogério Pinto dos Santos - Dirigente  Sindical  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Na prática

A CPTM vem cumprindo bem seu papel em discursar sobre segurança. Durante toda a semana enalteceu suas normas que, segundo ela, é eficaz na prevenção de acidentes.

Porém, na prática, não é exatamente o que acontece.     

Um exemplo disso é a entrada principal do prédio da empresa em Presidente Altino, Osasco. O local trata-se de uma passagem de nível, por onde atravessam diversas pessoas e veículos por dia, e os únicos dispositivos para fiscalizar o acesso à via são duas cancelas controladas manualmente por funcionários de terceirizadas, que não têm domínio algum sobre a passagem de trens.  

Vale lembrar que, há um ano e meio, o carro de um funcionário foi atingido enquanto saia do prédio. Autorizado a sair pela cancela localizada no estacionamento parou sobre os trilhos para aguardar a abertura da cancela na portaria, quando um contingente sem cobertura de cauda fazia manobra de maromba, ou seja, estava de ré e o atingiu. Por mera sorte ninguém ficou ferido. 

Acidentes assim são possíveis de evitar quando existe um dispositivo básico de aviso passivo, automático, completado por um item ativo (sonoro ou luminoso) e que funcione em conjunto com os controladores da própria via. Isso nos leva a crer que a empresa tem ou deveria ter um setor que respondesse a esse tipo básico de fiscalização.


Por Camila Mendes
Da Redação 

Sindicato da Sorocabana solicita oficialmente participação em Sindicâncias referentes aos acidentes na CPTM

Na tarde de segunda-feira  (06), nosso Sindicato, através de ofício, solicitou sua participação nas sindicâncias internas anunciadas pela CPTM, que tratarão dos acidentes de trabalho envolvendo cinco vítimas fatais nos dias 27 de Novembro e 02 de Dezembro.

O Sindicato aguarda uma posição da CPTM no que se refere aos dias e horário para realização das mesmas.

Confira o ofício na íntegra: 



Por Camila Mendes
Da Redação 

Sindicato Informa:


O Sindicato da Sorocabana informa que a partir do dia 20/12/11, o Dr. Marcelo Novo Trigueiros, responsável pela abertura de novos processos estará em período de férias, retornando as suas atividades em 17 de Janeiro de 2012.

A todos os associados que já possuem processos pelo Sindicato, informamos que continuarão sendo atendidos normalmente de Segunda à Quarta no horário das 09h00 às 13h00, pela Dra. Luana Farias, para consultas e esclarecimentos de dúvidas quanto ao andamento de suas ações.

Maiores informações pelo telefone: (11) 3681-8550 ou secretaria@sinferp.org.br

Sócrates é mais Negro do que Pelé (Artigo)

Homenagem atrasada ao Dia da Consciência Negra e ao Doutor Atleta Sócrates.



Caro Leitor Amante de Futebol,

Operário Ferroviário,

Individuo sensibilizado com as questões de Direitos Humanos, Trabalhistas e de ir e vir,

Caro Cidadão.

Como não me manifestei sobre o dia da consciência negra e sensibilizado pelo falecimento do Atleta Doutor Sócrates, quero compartilhar com vocês o meu pesar e minhas observações. 


Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira tinha raízes no Ceará e nasceu em Belém. Aos dezessete anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e conciliava suas atividades futebolísticas onde se profissionalizou em 1973 e se formou médico em 1977.


Um aspecto muito importante de seu comportamento era sua inquietude em relação às questões políticas, direitos humanos e democracia.
Um detalhe em especial que, sempre me deixou impressionado, era gesto de Sócrates em comemorar um Gol com o braço levantado, punho fechado e às vezes, cabeça baixa.

Este gesto tão importante foi o mesmo feito nos Jogos Olímpicos de 1968 realizados na Cidade do México entre 12 e 27 de outubro de 1968.


Foi à imagem mais marcante desta Olimpíada, tornando-se um ícone fotográfico dos anos 60, proporcionada pelos dois atletas negros norte-americanos Tommie Smith e John Carlos, ouro e bronze nos 200 metros rasos que, após receberem suas medalhas no pódio, levantaram seus braços esticados com as mãos cobertas por luvas negras e punhos fechados (saudação "Black Power" do partido revolucionário negro dos Panteras Negras), em protesto pela segregação racial e apoio aos movimentos negros em seu país. Enquanto o hino nacional de seu país tocava no estádio, abaixaram suas cabeças.

Após seu ato, transmitido ao vivo pela televisão para o mundo, os dois foram expulsos da delegação americana e da vila olímpica.

O que é menos conhecido sobre o protesto dos dois atletas dos EUA é que o segundo colocado na prova, o australiano Peter Norman, apoiou o gesto de ambos, carregando consigo no pódio uma insígnia do Olympic Project for Human Rights, organização que repreendia o racismo.

Foi também Norman quem sugeriu que Smith e Carlos dividissem o mesmo par de luvas, o único disponível no momento, razão pela qual o primeiro ergue o braço direito e o segundo, o esquerdo. O australiano foi muito criticado em seu país natal, onde ainda ocorria legalmente a segregação da população aborígene, medida a qual ele se opunha. Norman sempre demonstrou orgulho pelo que fez.

Caro leitor, coincidência ou não as datas dos fatos, permitiu ao Doutor sensibilizar-se pela questão por causa de suas raízes nordestinas, sua vocação médica, seu engajamento democrático, sua liderança democrática no clube onde se destacou e nas diretas já, simplicidade e estilo.

Hoje temos desesperadamente em rede nacional o REI do FUTEBOL compactuando com o senhor, Joseph Blatter, presidente da FIFA que, não há racismo no futebol.

Que vergonha ele deve ter causado em Nelson Mandella. Afinal, a maior prova viva dos crimes contra a humanidade é os atuais conceitos de Direitos Humanos, que vergonha e constrangimento ele causou em todas as pessoas que lutam contra qualquer tipo de preconceito, artistas como Peter Gabriel com sua canção BIKO faz o mesmo gesto que Sócrates, Tommie, John e tantos outros que contribuem.

Os Órgãos Internacionais como a UNICEF, ONU, AMNESTY INTERNATIONAL, CRUZ VERMELHA, dentre outros que fazem uma verdadeira cruzada em tentar prover acalanto aos desesperados por todo o planeta.

O REI presta uma falta universal de serviço quando tenta se posicionar, acredito que ele nem saiba mais o que ele vê quando se olha no espelho.

As questões discriminatórias se transferem para o ambiente de trabalho passam pelas relações de trabalho quando temos cargos de confiança, condições de trabalho degradantes, salários diferenciados para mesmas atividades, estacionamentos demarcados com placas a empresa se torna Feudo de alguém ou propriedade privada de alguém. O preconceito existe para quem sente, por isso tão difícil que as autoridades sejam enérgicas com questões neste âmbito.

Sócrates é mais Negro que o REI, é mais democrático, participativo, mais real, é como um de nós que toma todas para esquecer seus fantasmas, suas angústias, sofre com o sofrimento humano e não se cala diante das injustiças.

Esta é uma forma de Saudar o Dia da Consciência Negra abraçando a todos contra os preconceitos e engajados nas causas dos Direitos Humanos e melhoria nas relações de trabalho.

Abraços a todos!


Luís Carlos de Moraes (Neto)

Dirigente Sindical

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tradicional Festa de Confraternização da oficina de Presidente Altino é cancelada




Os ferroviários da manutenção de Presidente Altino,  realizaram na manhã de ontem (07), uma reunião que por unanimidade decidiu cancelar a tradicional festa de fim de ano no pátio da oficina, prevista para acontecer no próximo dia 16 de Dezembro.


De acordo com Antonio Amaral, delegado do nosso Sindicato, "a decisão de cancelar a festa é uma forma de repudia as ações da CPTM em relação aos acidentes do dia 27 de Novembro e 02 de Dezembro que vitimaram cinco companheiros de trabalho".


Por Camila Mendes
Da Redação 

Os Profissionais e os Babacas (Artigo)

Imagem: rosenthal.com.br
Na ultima sexta-feira, 02 de Dezembro, logo após outro acidente que tirou a vida de mais dois trabalhadores com mais de 30 anos de Ferrovia cada, os ferroviários que acompanharam as notícias pelos jornais, ficaram perplexo com as declarações do Senhor Evaldo José dos Reis Ferreira, “Gerente Geral de Manutenção” onde este afirmou que o acidente ocorreu por culpa dos dois trabalhadores que andavam sobre a Via.

Eu estive no local juntamente com meus companheiros do Sindicato e em nenhum momento pude constatar a presença do referido “Gerente” no local onde se deu o fato, e pelo que pude perceber suas entrevistas foram dadas da Estação de Barueri.

Em relação às suas declarações, o Senhor Evaldo afirmou que a inspeção na Via deveria ser realizada pelos trabalhadores andando ao lado desta, informação absurda, pois mesmo para um leigo em ferrovia, não há como examinar uma via não estando sobre ela.

Além do mais o acidente ocorreu numa curva com via elevada e desnível em ambos os lados onde que, mesmo que quisessem não conseguiriam andar ao lado e na distancia dita pelo “Gerente” Evaldo.

A postura “testa de ferro” é comum entre vários gestores da CPTM, afinal assumem (ganham) estes cargos de confiança e recebem altos salários para tal, mas imputar culpa a quem não pode se defender, transcende, e muito, a ética moral e profissional.

O governo do Estado de São Paulo tem que escolher, se quer que a CPTM seja uma empresa construída por Profissionais ou por Babacas, pois os Profissionais estão sucumbindo aos Babacas.


 Por Alessandro Viana 
Diretor do Sindicato da Sorocabana