segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Solidariedade do SINFERP aos gaúchos de Santa Maria (RS)

O terrível acontecimento de Santa Maria (RS) nos leva a repetir a questão de costume: como anda a segurança de passageiros nos trens e estações da CPTM, da TRENSURB, da SUPERVIA? Não aceitamos o conceito de "falha segura". Preferimos o de FALHA ZERO. Quem lida com vidas, não pode aceitar e nem tolerar falhas.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Publicações do SINFERP sobre mortes nos trilhos da CPTM


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A lógica contra a horda da barbárie que ataca os trens da CPTM


O trem "blindado" na foto ao lado - e denominado "fantasma da morte" -, foi criado e utilizado pelos paulistas na Revolução de 1932. A julgar pela horda de vândalos e sabotadores que está semanalmente promovendo ataques contra os trens da CPTM - segundo o governo do Estado e os arautos da empresa - talvez essa velharia seja a solução para os difíceis dias atuais. 

O que sabemos é o seguinte: todas as vezes que esses bárbaros atacam, e promovem danos contra à tão cantada modernização das linhas, necessariamente aparece alguém para consertar, além de surgir com novas medidas modernizadoras para a segurança do "sistema".

Exceto esses possíveis interesses, não vemos outros que possam ter o prejuízo da circulação dos trens como objetivo. 

Entendemos, isso sim, casos de furtos de materiais, uma vez que o ladrão lucra. Entendemos (embora não justifiquemos) o quebra-quebra de usuários quando das incontáveis falhas, pois a única forma de demonstrar descontentamento e indignação.

A rigor não acreditamos em vândalos e nem em sabotadores. Sabotadores, então, menos ainda, pois pressupõe ações planejadas com o intuito de promover um dano, com vista ao alcance de algum objetivo. Por que não acreditamos? O escapismo da CPTM, diante de falhas e acidentes, é histórico. Já "culpou" ferroviários mortos em serviço, demitiu alguns outros por justa causa apenas para acalmar a mídia e, por consequência, a opinião pública, Já "culpou" até mesmo usuários.

NUNCA, porém, surgiu alguma notícia - quando de falhas -, atribuindo responsabilidade para contratos descumpridos ou mal supervisionados, para serviços mal feitos por pessoas sem a devida qualificação, por materiais inadequados, por erros de projetos, etc. 

Quando vai "cair a ficha" de alguém?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Começou a Campanha Salarial 2013



Com a assembleia do dia 21 (segunda-feira), e a reunião com maquinistas das linhas 8 e 9 na noite de ontem, dia 23 (quarta-feira), para discussão de assuntos específicos desses profissionais, está definida e aprovada a pauta de reivindicações do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana, abrindo, assim, a Campanha Salarial 2013.

Tão logo sua redação passe por revisão final, de apreciação jurídica, e estaremos divulgando seu conteúdo junto aos ferroviários.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O segundo aniversário de São Paulo TREM Jeito



Hoje o blog São Paulo TREM Jeito completa o seu segundo aniversário. Continuamos sem saber se é bom ou ruim, se o número de visitas é muito ou pouco, mas temos aprendido bastante com ele.

O maior aprendizado é não nos preocuparmos em dar a ele uma direção, uma métrica, mas de conduzi-lo ao sabor das circunstâncias. Afinal, são as circunstâncias – e cada vez mais rápidas – que vão conduzindo a sua existência, assim como a do SINFERP. Notamos que ele é o registro de nossa própria história, assim como da história da categoria, do modal, e dos usuários do transporte de pessoas sobre trilhos.

Aprendemos, também, que ele tem um razoável poder de fogo. Se não conseguimos fazer valer nossos pontos de vista quanto ao destino do transporte de pessoas sobre trilhos, descobrimos que nossas informações e opiniões incomodam os que deveriam bem cuidar do destino do transporte de pessoas sobre trilhos, ao menos no Estado de São Paulo.

Pelas mãos da CPTM, o governo do Estado de São Paulo nos desalojou de nossa sede social. O argumento da necessidade de uso para fins da empresa foi apenas um falso motivo para nos tirar do caminho, pois as dependências estão lá, hoje, meses depois, sem nenhum uso pela CPTM. Está literalmente abandonada.

Em plena guerra entre polícia e bandidos, o governo do Estado de São Paulo, por meio da CPTM, coloca a polícia para investigar um de nossos dirigentes. Para investigar acidentes nos trilhos, não.

Visando demitir nossos dirigentes, e por justa causa, o governo do Estado de São Paulo, por meio da CPTM, passa a procurar motivos para punições administrativas. É provável que demita alguns deles.

Contrariando os objetivos do governo do Estado de São Paulo, o São Paulo TREM Jeitocontinua vivo. Para contrariar ainda mais, o blog continuará ativo, pois pretendemos comemorar mais aniversários no futuro.

Na linha das circunstâncias vamos registrando a história, ao mesmo tempo em que construímos a nossa. Continuaremos apartidários, laicos, e focados na missão que propusemos a nós mesmos: sermos uma referência na defesa dos interesses dos trabalhadores ferroviários e dos usuários de transporte de pessoas sobre trilhos.

Nossos mais sinceros agradecimentos aos que nos visitam, acompanham, registram comentários, mas principalmente aos que nos honram com participações, por meio do envio de matérias, por exemplo.

Éverson Paulo dos Santos Craveiro – Presidente do SINFERP

A colisão de trens na Serra do Mar e o sindicato



A colisão de trens da ALL e MRS, no dia 7 último, na Serra do Mar (SP), foi mais grave do que informado por parte da imprensa.

Por volta das 2 horas da manhã o trem da ALL - prefixo L54 -, com 79 vagões carregados com milho e açúcar, e que estava estacionado aguardando licenciamento, perdeu freio e percorreu aproximadamente 6 km, até colidir com outro trem, da MRS, que aguardava licença nas proximidades da estação Gaspar Ricardo (Serra do Mar, Santos).

Com a colisão uma das locomotivas do trem da ALL pegou fogo, 11 vagões tombaram e 5 descarrilaram. O maquinista do trem permaneceu na locomotiva, e avisou à Circulação do ocorrido, a fim de evitar colisão com outros trens em via contrária.

A cerca de emergência não atuou na composição para que o trem parasse, assim como o dispositivo sono. O fato de o trem ter-se movimentado, mesmo com a composição freada, demonstra a deficiência no sistema de freio da composição. Para tornar as coisas ainda piores, o maquinista estava trabalhando há mais de 23 horas.

No entendimento do Sindicato, a monocondução foi um dos fatores que contribuiu para o acidente, evidenciado pelos demais problemas nos sistemas de segurança operacional da ALL.

O Sindicato está tomando as providências cabíveis para buscar maior segurança ao menos para os trabalhadores, além, igualmente, de tentar evitar novos danos ao meio ambiente.

CPTM em 2013: a mesmice das falhas?



Segundo a imprensa a CPTM registrou, em 2012, 152 falhas. Resta saber se esse é o número da CPTM ou o monitorado pelos jornalistas. Possivelmente a segunda alternativa. Isso equivale a algo em torno de uma falha a cada 2,5 dias do ano, bem mais do que o secretário dos Transportes Metropolitanos havia previsto, quando de seus muitos questionamentos pela mídia, em meados de 2012.

Esse número certamente é maior. Prova disso é que muitos veículos reportaram a falha de sexta-feira, dia 4 de janeiro, mas apenas um registrou a falha do dia seguinte, sábado, dia 5 de janeiro, na zona leste.

Qual usuário nunca esteve embarcado em um trem, quando o maquinista começa a abrir e fechar as portas, e em seguida anuncia que todos devem descer e esperar pelo próximo, pois aquele será recolhido? Coisas similares acontecem todos os dias. Falhas? Sim, mas não são percebidas e nem contabilizadas. Conhecidas apenas as “grandes”, e mesmo assim se ocorrerem perto da capital. As da periferia são tornadas públicas se há gente ferida, ou algum quebra-quebra.

Já disse o secretário dos Transportes Metropolitanos que o número de falhas da CPTM é compatível com o das demais ferrovias do mundo.  Nunca disse, porém, quais os números dessas ferrovias, e nem quais são elas. Um “especialista” disse que as ferrovias europeias “escondem” seus números, no mínimo imaginando que alguém acredite nisso.  Bem, talvez em Suíça, Suécia ou Dinamarca.

A direção da CPTM fala em uma escala de falhas. Presume-se, portanto, que existem falhas pequenas, médias e grandes, embora não tenhamos nenhuma ideia quanto aos critérios. Número de mortos, feridos, de andarilhos pelos trilhos, de tempo para liberar a via, de intervalo entre trens?

O mesmo “especialista” - e que vende serviços de segurança para ferrovias -, defende um instigante conceito de segurança: falha segura. De acordo com ele ninguém precisa ficar preocupado com segurança, quando nos trens, pois um choque entre eles ocorre em velocidade máxima de 20 km/hora. Ele deve imaginar que os passageiros viajam todos sentados, e presos aos assentos por cintos de segurança.  Machucam-se, na pior das hipóteses, de acordo com o “especialista”. Uma versão ferroviária do “estupra, mas não mata”. Não morrendo passageiro, o que resta é “desconforto”.

Quando de incidentes - mas principalmente de acidentes -, a preocupação do governo e da empresa é buscar “culpados”, mas nunca responsáveis. São os de sempre: ferroviários, vândalos e sabotadores. Os jargões habituais são conhecidos - inquérito e investigação – e fazem parte da “operação abafa”. Os resultados são sempre desconhecidos, e ninguém responsabilizado. No que deu, por exemplo, o de Campos do Jordão?

A única mudança ocorreu na interlocução com a imprensa. Começou com gestores da CPTM. Passou para setor de comunicação da empresa. Depois o secretário dos Transportes Metropolitanos, e finalmente o próprio governador. Desencontros de versões oficiais não faltaram. Em completo desespero desalojam o sindicato da sede social, perseguem alguns sindicalistas nos locais de trabalho, e ainda colocam a polícia para investigar um deles. Não seria melhor investigar mortes nos trilhos, lembrando que tivemos sete em menos de um ano?

Estão comprando trens novos? Estão. Estão remodelando algumas linhas? Estão. Essas medidas vão resolver os problemas? Não.

Por quê? Porque as pessoas são as mesmas, a mentalidade é a mesma, e as práticas são as mesmas. Os mesmos diretores, gerentes, fornecedores e “especialistas”. Como essas variáveis são constantes, os resultados (ou a ausência deles) são igualmente constantes.

Governo e CPTM querem convencer que herdaram uma ferrovia arcaica, de onde as dificuldades de “modernização”.  Não dizem, porém, que essa herança ocorreu há 20 anos, quando direta e indiretamente passou a ser controlada pelo mesmo governo, e por parte dos atuais gestores. Não existe, portanto, nenhuma inocência.

A ausência de uma legislação, que subordine os trens de passageiros a critérios de qualidade e de segurança, permite que governo e CPTM criem seus próprios critérios, e nada os obriga a explicitá-los. Nessa medida, podem fazer o que bem entendem, pois não devem satisfações a não ser a si mesmos.

Vale a mesma condição imperial ao Metrô, mas nele foi adotada a fiscalização de uma agência certificadora externa. Nada similar na CPTM.

Nesse quadro, não vejo nenhum motivo para acreditar que, em 2013, as coisas melhorem de forma significativa nos trilhos da CPTM. Os usuários continuarão alijados dos planos da empresa, e o governo fechado para críticas e até mesmo sugestões. Que façam, portanto, o que bem entenderem, mas terão que conviver com nossa presença muito atenta.

Éverson Paulo dos Santos Craveiro - Presidente do SINFERP