segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cracolândia dos Trilhos


Usuários no leito da via entre
 Carapicuíba e Miguel Costa 
Fora da cracolândia, usuários de drogas tem novo endereço.

No dia 26 de abril, recebemos denúncias feitas por passageiros e funcionários da CPTM que, entre as estações de Carapicuíba e Miguel Costa em São Paulo, havia pessoas fazendo uso de drogas no leito da linha férrea, como também, andando pelos trilhos.

“Eles atravessam na frente dos trens ,dançam , fazem brincadeira e sentam na via”, declarou um funcionário que não quis ser identificado.

Nosso Sindicato esteve no local e comprovou os riscos a qual estão sujeitos os funcionários, passageiros e os próprios usuários da droga.

Sem Intervenção - Usuários no leito da via entre 
Carapicuíba e Miguel costa 
De acordo com quem utiliza dos trens diariamente, o problema está se agravando a cada dia.

“Antes isso era visto mais na parte da noite, agora, a qualquer hora do dia eles estão por ali”, finalizou o funcionário.

Por se tratar de uma questão municipal e de invasão aos domínios da ferrovia, nossa assessoria de imprensa procurou a CPTM, com o objetivo de saber se haviam sido tomadas providências a respeito da retirada dessas pessoas da via, como também, o respaldo de segurança dado aos funcionários e passageiros que circulam diariamente entre as duas estações.

Usuário correndo sobre os trilhos em Santa Terezinha
Carapicuiba - São Paulo 
Em nota à imprensa do nosso Sindicato, a CPTM respondeu que tem tomado providências para coibir a presença de pessoas, usuários ou não de drogas, em toda a linha férrea. Equipes de segurança têm atuado ao longo do trecho entre as estações General Miguel Costa e Carapicuíba, na Linha 8-Diamante, fazendo um trabalho para que as pessoas deixem o local. Essas intervenções são realizadas preservando o respeito e a dignidade humana. Após a saída dos viciados, as equipes da CPTM ficam posicionadas de forma preventiva ao longo da via para evitar o retorno dos invasores.

Também informou que no 27 de março, foi realizada audiência na 3ª vara cível de Carapicuíba, com a presença do prefeito de Carapicuíba, representantes da COHAB, CPTM, Ministério Público e da Defensoria Pública para tratar do assunto. Ocasião em que o prefeito se comprometeu a demolir as edificações construídas em áreas de risco e que causaram a queda do muro de vedação da faixa ferroviária.

Onde estão as equipes de segurança?
Trecho entre Carapicuíba e Miguel Costa 
Porém, reconheceu que, até o momento, a prefeitura não cumpriu suas obrigações. Motivo pelo qual a Juíza da 3ª Vara Cível de Carapicuíba já mandou intimar a Prefeitura de Carapicuíba para dar cumprimento ao acordo, sob pena de multa e responsabilização pessoal do prefeito.  A CPTM aguarda o cumprimento da ordem judicial para tomar as demais providências necessárias.

Em relação aos maquinistas, a empresa respondeu que todos são treinados para agir em ocorrências. Nos casos que envolvem diretamente pessoas, o Centro de Controle Operacional (CCO) é informado e encaminha equipes de segurança para fazer o atendimento no local.

Comentário Camila Mendes – Usuária de Trem e Jornalista

Crianças nos trilhos
Santa Terezinha - Carapicuíba (SP)
Que a empresa não pode ser totalmente responsabilizada pela invasão dessas pessoas, a meu ver é um fato relevante, afinal, o muro de proteção existe entre as estações de Carapicuíba e Miguel Costa. Porém, em relação às providencias que estão tomadas para coibir a presença de pessoas em toda a linha férrea, se existe, não vem sendo eficaz, tendo como exemplo a estação vizinha - Santa Terezinha, Carapicuíba (SP).

A portaria desta estação não tem nenhum tipo de segurança por parte da empresa, os portões ficam o tempo todo aberto, as pessoas que residem na comunidade circulam tranquilamente no pátio, correm pelos trilhos para chegar à plataforma e embarcarem nos trens sem pagar as passagens, crianças soltam pipas próximas à rede aérea. O absurdo é tão grande que, até criação de galinhas existe dentro do pátio de Santa Terezinha.

Mas voltando a questão da cracolândia dos trilhos...

Sobre as equipes de segurança que ficam ao longo do trecho, minha pergunta é, onde estão? Em nenhum momento durante nossa apuração vimos qualquer tipo de intervenção para coibir o acesso dessas pessoas na linha férrea.

Pensando na pior das hipóteses, me pergunto, caso um maquinista atropele uma dessas pessoas, será que não haverá revolta por parte dos demais? Um linchamento? E os passageiros, não sofreram retaliações?

Também penso que, se caso o maquinista não for alvo da revolta dos usuários da droga, será que não será alvo da imprensa que, por sua vez cobrará a empresa que, como amostra de dever cumprido vai demiti–lo por justa causa?

Mandar equipes de segurança da própria empresa, também, não é a solução mais adequada, afinal, não é possível prever a reação de alguém sob o efeito de drogas, como também, a reação dos vendedores desta, não é mesmo? Dentro do meu entendimento, isso é um caso de policia.

Preservar e respeitar a dignidade humana são um dos principais objetivos do nosso Sindicato, afinal, além dos usuários da droga, os funcionários e os passageiros são o que ? Daí o nosso questionamento à empresa.